Estava ele
sentado na cadeira de seu pai, com uma garrafa de Pilsen e um prato de petiscos
ao seu lado, olhando, apenas olhando para o céu ou para o nada, solitário, como
se não houvesse preocupações, ou como se todas as preocupações, desesperos e
sonhos não realizados fossem jogados contra a brisa que batia de leve em seu
rosto enrubescido e cansado. Pensava e murmurava com seu choro internamente em
tudo o que fez até ali, em todos os lugares que esteve, com as pessoas que
gostava, com a mulher que amava e o que conheceu. Todas as experiências que
teve ,e nada foi tão importante em sua vida quanto tudo isso.
Ele estava tão
só agora, naquele momento, sentia um pesar no coração, sentia saudade, queria voltar
e reviver os momentos bons. Queria falar com alguém, mas todas as pessoas com
quem ele poderia falar já não estavam mais lá, todas as horas que ele
desperdiçou indo e fazendo coisas que não queria, e que ainda sim sobraram
todos os lugares onde ele pisou, visitou, sonhou em ir e que estavam apenas em
sua memória agora, era como se fosse um dejá-vu
, uma corrente que o arrastava de volta para o mar de lembranças e o fazia
ficar ali, perdido, sem carinho e afago, em prantos, em gritos, em desespero,
sabendo que ninguém podia ouvi-lo,
porque ninguém pode ouvir os desatinos da nossa alma.
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