quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Desatinos

Estava ele sentado na cadeira de seu pai, com uma garrafa de Pilsen e um prato de petiscos ao seu lado, olhando, apenas olhando para o céu ou para o nada, solitário, como se não houvesse preocupações, ou como se todas as preocupações, desesperos e sonhos não realizados fossem jogados contra a brisa que batia de leve em seu rosto enrubescido e cansado. Pensava e murmurava com seu choro internamente em tudo o que fez até ali, em todos os lugares que esteve, com as pessoas que gostava, com a mulher que amava e o que conheceu. Todas as experiências que teve ,e nada foi tão importante em sua vida quanto tudo isso. 
Ele estava tão só agora, naquele momento, sentia um pesar no coração, sentia saudade, queria voltar e reviver os momentos bons. Queria falar com alguém, mas todas as pessoas com quem ele poderia falar já não estavam mais lá, todas as horas que ele desperdiçou indo e fazendo coisas que não queria, e que ainda sim sobraram todos os lugares onde ele pisou, visitou, sonhou em ir e que estavam apenas em sua memória agora, era como se fosse um dejá-vu , uma corrente que o arrastava de volta para o mar de lembranças e o fazia ficar ali, perdido, sem carinho e afago, em prantos, em gritos, em desespero, sabendo que ninguém podia  ouvi-lo, porque ninguém pode ouvir os desatinos da nossa alma.

  

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