terça-feira, 5 de agosto de 2014

Saudade

             E aqui estamos, com o coração apertado de saudade, e essa dor é a mesma de quando se perde alguém que você ama. Dói tudo, faz um nó na garganta, seus olhos exprimem as lágrimas que tem, seu coração acelera com um choque de adrenalina, seu corpo fica debilitado com um choque de serotonina. Você só quer deitar a cabeça em um travesseiro e dormir, para esquecer a dor, para sonhar, para perder o medo e amenizar a saudade, é o melhor caminho.

                Você quer ver o rosto dela, ouvir sua voz, sua risada, sentir seu perfume, seu abraço, saber que ela está bem. Estar com ela, levá-la ao seu lugar preferido, comer sua comida preferida, ouvir a música que você e ela mais gostam. Sentir o quão bem ela te faz. Isso é matar a saudade, mas enquanto ela está distante, a saudade é quem parece matar você. E outra vez aquele nó na garganta, o frio em sua pele, a dor no peito, as lágrimas e o arrepio de estar sozinho, desamparado, vazio e triste te arrebata, te faz querer fugir, faz você se esconder, te faz desaparecer.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Feeling

                   Seus olhos agora se viraram contra os meus, o que eu sentia quando eu podia olhá-los sem medo, agora parte meu coração em pedaços que não posso consertar, era como se eu pudesse ver sua alma e adivinhar seus pensamentos. Agora é como se eu não pudesse mais ser feliz. Não quero permanecer no mesmo lugar vazio que me fez arriscar estar com você, mas também não quero fugir de tudo o que me faz ficar perto de você, é como se eu estivesse fugindo de mim.
                Não posso confirmar, mas acho que sabemos que coisas que acontecem rapidamente, também acabam rapidamente, como um susto, um encanto que perdeu sua magia. Reprimir todos os momentos que me fazem não querer ser forte é uma parte da minha fortaleza, mas nós sabemos que as fortalezas se ruem com o tempo, porque elas também não suportam para sempre, e as vezes algumas lágrimas veem à tona, como um maré, empurrando tudo em direção à praia, sinto até meu coração pesado, apertado, querendo desatar algum nó que eu ainda segurei com toda força para não soltar e me fazer cair, como se eu escalasse uma montanha muito íngreme e não me sobrasse mais nada além da perseverança , que me dá vontade de sobreviver, como se já não fosse o bastante.


quinta-feira, 6 de março de 2014

Coragem

As palavras querem sair de mim, mas minha razão diz que é melhor elas permanecerem intocáveis, quietas, silenciosas. Eu quero dizer, mas meu coração saltita a cada pensamento, eu começo a ter calafrios de ansiedade só de pensar em falar. Então não preciso, meus olhos já dizem tudo o que necessito.
                Mas ainda tenho medo, por mais que eu queira, por mais que eu tenha liberdade, tudo o que eu preciso é um pouco mais de coragem, por os pés para fora, colocar a cabeça no mundo, sair de onde estou, porque me sinto sufocado, me sinto preso, me sinto inútil. Você não sabe como me sinto, não pode descrever a mesma sensação que tenho, por mais que você sinta saudade de quem você ama, nada pode superar o amor que você tem de si mesmo, e isso é tudo. Isso decide para onde tu vais, decide se vai deixar o medo entrar ou sair.
                Simplesmente tudo parece um pesadelo quando você quer e não consegue simplesmente tudo parece desesperador, a sua mente parece não pertencer mais ao lugar de onde estás, e tudo o que você quer é fugir, é poder estar onde deseja, tudo o que você quer é crescer, e isso vai doer, sim vai, porque crescer dói. Viver longe de quem pode te ajudar. Estar distante quem te ajudou desde sempre, isso dói mais, você perde tudo o que tinha e começa a ser tudo o que eles são, e isso é tudo. Isso é conquistar o mundo, conquistar o seu mundo.

                Ninguém pode dizer que você está errado ou certo, ou que é pior ou melhor do que antes. Ninguém está no seu lugar, mesmo que já tenham vivido mais que você, mesmo que tudo o que eles querem é te dizer que ficar é a melhor alternativa, melhor opção, mas eles não são você e nunca poderão ser e talvez nem mesmo possam te entender. E ninguém sabe mais do que você sabe o que realmente vale a pena, quais as palavras a se usar, quais as lágrimas a se esconder. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Escuridão

Fecho meus olhos e sinto o frio da escuridão, ouço os sussurros que me mantém vivo que me mantém em alerta.  Quero acabar com as lágrimas que ficam presas na garganta, entaladas junto às palavras que eu gostaria de dizer, mas ficam acumuladas na memória, ficam queimando em leves brasas, parecem queimar meu rosto em pequenos flashes fotográficos.
Meu coração fica acelerado e minha respiração ofegante, parece que estou seguindo um caminho sem caminho, uma rota de fuga sem fim, uma longa estrada por onde não me canso de atravessar e onde quero estar, em lugar algum, apenas velejando em um oceano de idéias inacabadas em uma sensação que arrepia a pele, um prazer que me deixa eufórico, um sentimento que me deixa perdido.
Aquela corrida matinal que me aquece, que deixa meus sonhos invadirem minha mente, e deixa meus planos invadirem meus pensamentos.  E eu nem posso ouvir o que você diz, porque está tão longe, também não posso explicar o que me invade, você pode não me entender. Estou sentindo o vento passar sobre meus braços e arrepiar meus pelos, estou sentindo a mesma liberdade de quando estou sonhando, e isso me enche de euforia, meu coração salta ao ouvir o solo de guitarra que me faz lembrar estar em um lugar completamente diferente, um lugar distante e no futuro, um som que me faz lembrar seu rosto e de como você é, uma sensação de prazer e desgosto profundo, porque você não consegue me escutar, e eu chamo, mas você parece estar tão internamente dolorido quanto eu, não posso negar que isso machuca a nós dois.

Quando eu voltar não quero estar aqui, não quero repetir os mesmos erros, não quero me tornar insensivelmente intocável, entorpecido pelo cheiro que permanece conosco, não quero que tudo funcione perfeitamente senão não poderei arrumar, não serei nada ,não sou nada, não posso ser alguma coisa.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Desatinos

Estava ele sentado na cadeira de seu pai, com uma garrafa de Pilsen e um prato de petiscos ao seu lado, olhando, apenas olhando para o céu ou para o nada, solitário, como se não houvesse preocupações, ou como se todas as preocupações, desesperos e sonhos não realizados fossem jogados contra a brisa que batia de leve em seu rosto enrubescido e cansado. Pensava e murmurava com seu choro internamente em tudo o que fez até ali, em todos os lugares que esteve, com as pessoas que gostava, com a mulher que amava e o que conheceu. Todas as experiências que teve ,e nada foi tão importante em sua vida quanto tudo isso. 
Ele estava tão só agora, naquele momento, sentia um pesar no coração, sentia saudade, queria voltar e reviver os momentos bons. Queria falar com alguém, mas todas as pessoas com quem ele poderia falar já não estavam mais lá, todas as horas que ele desperdiçou indo e fazendo coisas que não queria, e que ainda sim sobraram todos os lugares onde ele pisou, visitou, sonhou em ir e que estavam apenas em sua memória agora, era como se fosse um dejá-vu , uma corrente que o arrastava de volta para o mar de lembranças e o fazia ficar ali, perdido, sem carinho e afago, em prantos, em gritos, em desespero, sabendo que ninguém podia  ouvi-lo, porque ninguém pode ouvir os desatinos da nossa alma.

  

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Não sei

Não sei. Essa é a única coisa da qual nós realmente sabemos. Até
Sócrates já havia tirado essa conclusão. A diferença é que hoje nós usamos por
pura preguiça, porque em grande parte nós sabemos sim o que alguém 
pergunta,ou coisas que nem Sócrates, Platão, Einstein nem Sr. Algum sabiam hoje já sabemos,
mas a preguiça nos deixa dizer apenas "não sei". Então ... onde está o intuito de 
conhecer? Vamos ficar apenas no "não sei"? Sim! Nós vamos! É mais fácil.
Mas já que vamos ficar nessa é melhor que digamos "não sei" por pura preguiça
do que por pura ignorância.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Palavras

Palavras
São apenas ilusões dos quais nossos ouvidos precisam
São risos e suspiros que saem da nossa boca
São olhares e lágrimas que nossos olhos lubrificam com o pensamento
Como tudo o que queremos saber e não sabemos

Palavras são mágicas, são trágicas
e eu não preciso rimá-las para fazer um poema
Deixem que elas façam por si só
Deixem que elas pensem e falem o que não podemos

Palavras,
Por fim, elas guardam o que nossos desejos escondem
Elas silenciam o que sentimos
Dilaceram o que não se pode dizer
Confirmam o que mentimos
e o que se deve esquecer.