Fecho meus
olhos e sinto o frio da escuridão, ouço os sussurros que me mantém vivo que me
mantém em alerta. Quero acabar com as
lágrimas que ficam presas na garganta, entaladas junto às palavras que eu
gostaria de dizer, mas ficam acumuladas na memória, ficam queimando em leves
brasas, parecem queimar meu rosto em pequenos flashes fotográficos.
Meu coração
fica acelerado e minha respiração ofegante, parece que estou seguindo um
caminho sem caminho, uma rota de fuga sem fim, uma longa estrada por onde não
me canso de atravessar e onde quero estar, em lugar algum, apenas velejando em
um oceano de idéias inacabadas em uma sensação que arrepia a pele, um prazer
que me deixa eufórico, um sentimento que me deixa perdido.
Aquela corrida
matinal que me aquece, que deixa meus sonhos invadirem minha mente, e deixa
meus planos invadirem meus pensamentos.
E eu nem posso ouvir o que você diz, porque está tão longe, também não
posso explicar o que me invade, você pode não me entender. Estou sentindo o
vento passar sobre meus braços e arrepiar meus pelos, estou sentindo a mesma
liberdade de quando estou sonhando, e isso me enche de euforia, meu coração
salta ao ouvir o solo de guitarra que me faz lembrar estar em um lugar
completamente diferente, um lugar distante e no futuro, um som que me faz
lembrar seu rosto e de como você é, uma sensação de prazer e desgosto profundo,
porque você não consegue me escutar, e eu chamo, mas você parece estar tão
internamente dolorido quanto eu, não posso negar que isso machuca a nós dois.
Quando eu
voltar não quero estar aqui, não quero repetir os mesmos erros, não quero me
tornar insensivelmente intocável, entorpecido pelo cheiro que permanece
conosco, não quero que tudo funcione perfeitamente senão não poderei arrumar,
não serei nada ,não sou nada, não posso ser alguma coisa.

"Quando eu voltar não quero estar aqui, não quero repetir os mesmos erros, não quero me tornar insensivelmente intocável..." Menina, tem certeza que é farmácia?! Muito bom!
ResponderExcluir